À FALTA DE INSPIRAÇÃO MAIOR E COMO HÁ CONTRATOS A CUMPRIR
30 Setembro , 2006 — [ Dom Bibas ]VEM ESTE VOSSO TRUÃO DIRIGIR-SE-VOS COM A MAIOR DAS HUMILDADES PEDINDO DESCULPA POR NÃO TER ABSOLUTAMENTE NADA A DIZER. Mas como o contrato com o tal CJT me obriga a que despeje para aqui um post sabatino, cá venho marcar o ponto.
“Vê lá, ó Bobo, se apareces, pá. Tu és necessário ao sucesso do blog. Olha: passas a administrador do blog, dividimos o dinheiro a meias. Que tal?” Ora… ele disse DINHEIRO?
Bom… eu sei o que ele quer. E também sei que não há dinheiro. Mas tudo bem. Nasci para divertir Vossas Senhorias e não ficaria bem a um truão que se preze fugir aos seus deveres - e habituado a ser explorado ando eu. É claro que ele nunca irá confessar que sem mim o blog nunca há-de ser nada. Mas é bom rapaz, eu ajudo-o.
Mas. como digo, nada tenho a dizer de importante. Por isso, simplesmente exponho a importação do blog que lá tinha na outra banda e que fica por aqui, pela categoria Dom Bibas.
Um salamaleque daqueles que Vossas Senhorias gostam [ a ver a barriga da perna à Senhora e a passar o chapéu no bigode do Senhor ] e um bom fim de semana, deseja-Vos o Vosso mui dedicado Truão.
[ Dom Bibas ]
A miséria, porém, criou-lhe uma indústria: Dom Bibas começou a sentir em si as inspirações de trovista e os garbos de folião: pouco a pouco a sua presença tornou-se tão desejada nas tabernas do burgo, como as cubas de boa cerveja, então bebida trivial, ou antes tão agradável como os eflúvios do vinho, que naquela época ainda escasseava algum tanto nas taças dos peões.
[...]
Havia votos que tal bobo se não procurasse. Fundavam-se os que seguiam esta opinião em que nem nas leis civis de Portugal, Coimbra e Galiza (o livro dos juízes), nem nos degredos do Padre-Santo, nem nos costumes tradicionais dos filhos dos bem-nascidos, ou fidalgos de Portugal, havia vestígios ou memória deste ofício palatino. Venceu, porém, o progresso: os bispos e uma grande parte dos senhores, que eram franceses, defenderam as instituições pátrias, e a alegre truanice daquela nação triunfou, enfim, da triste gravidade portuguesa na corte de D. Henrique, bem como o breviário galo-romano triunfara poucos anos antes do breviário gótico perante D. Afonso VI.
Foi então que Dom Bibas se viu elevado, sem protecções nem empenhos, a uma situação, a que nos seus mais ambiciosos e agradáveis sonhos de felicidade nunca tinha imaginado trepar. O próprio mérito e glória lhe puseram nas mãos a palheta do seu antecessor, a gorra asiniauricular, o gibão de mil cores e o saio orlado de guizos. De um para outro dia o homem ilustre pôde olhar senhoril e estender a mão protectora para aqueles mesmos que na véspera o apupavam. Diga-se, porém, a verdade em honra de Dom Bibas: até o tempo em que sucederam os acontecimentos extraordinários que começamos a narrar, ele foi sempre generoso, nem nos consta abusasse jamais do seu valimento e da sua importância política em dano dos pequenos e humildes.[ in O Bobo de Alexandre Herculano ]

