A MORTE DE ISAAK BABEL, MESTRE DO REALISMO SOCIALISTA

Assim como ocorreu em outros países e em outros regimes, os escritores tiveram um papel primordial, mas, ao mesmo tempo e paradoxalmente, desempenharam uma finalidade prática secundária.

Ao mesmo tempo em que estes intelectuais legitimavam o regime de Estado por meio de suas obras, suas palavras eram quase que desprezadas quando opinavam a respeito das próprias políticas de Estado que eles mesmos legitimavam em sua obras. Isaak Babel é o exemplo mais acabado desta situação. Mas, infelizmente, não apenas o único.

Nascido em uma familia judaica quase toda assassinada no regime do pogrom no ano de 1905, Babel cresce no seio de uma familia cristã, podendo estudar unicamente em virtude do programa de quotas para estudantes judeos russos.

Amigo do gentilíssimo Máximo Gorky, Babel, após a Revolução de 1917, se engaja e passa a lutar na sangrenta batalha revolucionária entre Vermelhos (exército comunista revolucionário criado por Leon Trotsky) e Brancos, força reacionária do antigo regime czarista (bem como o Exército Verde Nacionalista e o Exército Negro Anarquista).

Como Babel diria mais tarde em sua autobiografia, “… I owe everything to that meeting and still pronounce Alexey Maksimovich (Gorky’s) name with love and admiration”. Estes anos seriam decisivos para o posterior desenvolvimento da sua obra mais conhecida, a “A Cavalaria Vermelha”, obra que finalmente sai no ano de 1926.

Entretanto, Babel caiu na infelicidade de criticar a política de coletivização forçada do regime sangrento de Stalin, que, não somente naquela momento, mas em toda sua história, estava sendo caracterizada pela violência, injustiça e opressão.

Babel, a partir deste dia, sente que sua morte se aproxima. Quando seu amigo Gorky morre no ano de 1936, Babel escreve: “Now they will come for me”. E não foi diferente. Na foto acima, vemos a lista de expurgos elaborada carihosamente pelo funcionário íntimo de Stalin, Beria (o estuprador e torturador oficial do regime comunista, garoto propaganda da eficácia soviética contra as ações conspiratórias), notamos o nome de Babel.

Pouco tempo depois o escritor seria mandado para a prisão de Lubianka, acusado de espionagem (?). Lá foi torturado, confessando assim seus “crimes” inxistentes. No ano de 1940, no dia 27 de janeiro, foi assassinado nesta mesma prisão com um tiro na nuca. O terror comunista já se fazia sentir presente.

Entretanto, a wikipedia continua a esconde-los