eles andem aí
6 Fevereiro , 2007 — Carlos José Teixeira[A.0019]
Os partidos belgas de linha dita tradicional toleraram durante os últimos anos o aparecimento de forças extremistas de Direita que, apoiando-se num certo espírito secessionista consequente do particularismo geopolítico que é a Bélgica, conseguiram vingar fazendo passar a mensagem do ódio contra o estrangeiro, contra o negro, contra o homossexual, contra, enfim, tudo aquilo que seja diferente.
O seu apogeu, assim como a irresponsabilidade política face ao seu ressurgimento a pretexto de uma necessária tolerância mesmo para com os intolerantes, tem paralelo em toda a Europa: na Dinamarca do Partido Popular Dinamarquês, na Suíça do SVP, na Alemanha do NPD, na Polónia do Partido das Famílias Polacas, na Eslováquia com o Partido Nacional Eslovaco em pleno governo, na Bulgária da Coligação ATAKA, na Roménia do Partido da Grande Roménia…
…e no Portugal do PNR, que docemente e de mansinho, lá vai participando nas marchas pela Vida organizadas pela Plataforma do NÃO à Interrupção Voluntária da Gravidez. Clamam-se defensores da vida acima de tudo. Esqueceram-se foi de nos contar que vida, para semelhantes cavalheiros, assenta no pressuposto de um indivíduo branco, caucasiano, filho de portugueses e heterossexual.
Este post no Devaneios Desintéricos vem alertar para a passividade autista com que grande parte dos países europeus, Portugal incluído, vêm a encarar a escalada dos partidos de extrema-direita e neo-nazis.
A Democracia é um argumento forte para a existência destes partidos. A mesma Democracia que combatem ferozmente. Esta Democracia permite a existência de agrupamentos, agremiações, movimentos em plena liberdade. Permite a sua expressão baseada nos princípio das Liberdades de Associação e de Expressão.
É a própria Democracia que potencia a existência dos que a combatem, a ela e aos mais básicos ideais de Humanidade. E o que fazer? Proibi-los? Cercear-lhes a Liberdade que, no entanto, combatem? Colocá-los de parte, remetê-los a um gueto como eles remetem todos os que não se enquadram nos seu “elevados” standards de “humanidade”?
Não. O que há a fazer é estar atento, encarar a realidade de que não são meia dúzia de putos sem nada na cabeça e que “estão a passar por uma fase” ou que não são meia dúzia de saudosistas que encravaram no Estado Novo. Eles são muito mais que isso e são cada vez mais numerosos, mais confiantes, mais activos, mais influentes. E vejam no que isso poderá dar um dia.
Eles andem aí. Leiam o resto do post e vejam.